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Minicursos 
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A emergência da cultura terapêutica e seus impactos na educação, com Renata C. Souza
26, 27 e 28 de maio de 2026, das 11:00 às 12:00. Online, via Google Meet

Detalhamento: O minicurso propõe uma introdução crítica à noção de cultura terapêutica e à sua crescente incidência no campo educacional. Parte-se da análise de autores como Christopher Lasch, Frank Furedi, Alasdair MacIntyre e Charles Taylor, a fim de identificar os traços constitutivos do ethos terapêutico moderno e suas implicações para a compreensão da educação como formação para o viver. Em seguida, examina-se a penetração desse ethos nas práticas e discursos pedagógicos contemporâneos, destacando as tensões apontadas por filósofos da educação. Por fim, discutem-se propostas recentes que buscam integrar a afetividade — em chave fenomenológica — com a noção antiga de therapeía e os exercícios espirituais greco-romanos, avaliando seus alcances e limites, inclusive à luz de possíveis aproximações com formas de neoestoicismo, mas sem os aspectos individualistas e atomistas.

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Entre o pensar e o viver: Filosofia do Ensino de Filosofia, Psicologia e a formação do sujeito, com Henrique Resende Corrêa e Isabela de Lima Nogueira
28 e 29 de maio de 2026, das 17:30 às 19:00. Online, via Google Meet

Detalhamento: O minicurso propõe refletir sobre a filosofia como modo de vida, compreendendo o filosofar não apenas como exercício teórico, mas como prática formativa que incide sobre a maneira de pensar, viver e se relacionar consigo, com o outro e com o mundo. A partir da Filosofia do Ensino de Filosofia, serão abordados seus pilares fundamentais — o questionamento sobre o que é filosofia, sua dimensão de práxis e seu caráter político — destacando sua contribuição para a formação de sujeitos autônomos, críticos, criativos e cuidadosos. Em diálogo com essa perspectiva, a Psicologia será apresentada a partir da questão da saúde do estudante, entendida como processo atravessado por exigências institucionais, experiências de sofrimento, modos de cuidado e possibilidades de elaboração de si. Por isso, em contraste com discursos prontos e normativos, a Psicologia será apresentada como espaço de escuta e construção da autonomia, articulando-se à Filosofia em torno da ideia de que aprender a viver implica formar-se a si mesmo com os outros e no mundo.
Objetivos:
- Refletir sobre a filosofia como modo de vida, compreendendo o filosofar em sua dimensão prático- formativa.
- Apresentar fundamentos da Filosofia do Ensino de Filosofia, com ênfase em sua dimensão teórica, prática e política.
- Discutir a contribuição da Psicologia para a autonomia do sujeito, em perspectiva ética e relacional.
- Promover o diálogo entre Filosofia e Psicologia na formação de sujeitos autônomos, críticos e cuidadosos.

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Lacunas na Poética e na Poesia: produzindo a catarse no rito e na modernidade, com Giancarla Francovig Peralta Ceravolo.
26 e 27 de maio de 2026, das 17:30 às 19:00 - Sala a definir

Detalhamento: O minicurso divide-se em dois momentos: o primeiro, de exposição teórica e discussão acerca do fazer poético e do trabalho do poeta de produção intencional da catarse, ambos devidamente historicizados e ambientados culturalmente; o segundo, de produção poética, oficina que objetiva o primeiro momento, comprovando a teoria pela prática.
Com base na Poética de Aristóteles, o minicurso visa a apresentar a mimese como trabalho que exige técnica, e que tem por finalidade última a catarse; a exposição se dará em termos de desmistificação do trabalho do poeta como algo calcado no “talento natural” e na “inspiração pura”. Após esta imersão no modo de composição do material poético e nos processos miméticos, faremos uma passagem da filosofia à ciência. Como Vigotski, autor moderno, compreende, agora, a catarse em termos científicos de descarga químico-emocional, curto-circuito e reelaboração do psiquismo? Como a função final poética da catarse permanece e se transforma nesta passagem do rito, próprio da Antiguidade, à poesia moderna?
A questão lacunar do minicurso se explica tanto pelo caráter lacunar da própria Poética de Aristóteles quanto pelo caráter lacunar dos fragmentos de Safo de Lesbos, maior voz da lírica antiga grega.
O segundo momento do minicurso, marcado pela oficina, é uma forma de dar forma à matéria estudada no primeiro momento, fazendo jus à poiesis, ao incentivar os participantes a transformar as discussões e abstrações apreendidas num produto criativo. Nesta parte, a ministrante apresentará exemplos concretos do processo transformador de mitos em poesia, e auxiliará os alunos a também criarem poemas que, partindo de mitos e passando pela estrutura mimética,
encontram a sua finalidade última na catarse e, não apenas na superação do conteúdo pela forma, mas também na busca pela superação de suas próprias lacunas por meio da poesia.
Objetivos:
- Guiar os integrantes na compreensão do estudo da catarse como técnica (o caráter científico se comprova uma vez que o objeto pode ser não apenas descrito, mas reproduzido), para sair da concepção idealista de talento, inspiração pura etc.
- Relacionar os fundamentos da Poética de Aristóteles, no campo das filosofia, com os fundamentos da Psicologia da Arte, de Vigotski, discutindo sua continuação e superação no campo da estética e da psicologia.
- Propiciar e possibilitar um momento de fazer poético, objetivando as abstrações discutidas acerca da estrutura mimética e da catarse como função última da poesia.
Referências bibliográficas:
ARISTÓTELES. Poética. Trad. Paulo Pinheiro. São Paulo: Ed. 34, 2015.
CERAVOLO, G. F. P. Enamorameto Classicista ou O Fausto Hodierno: sonetos e poemas. Ouro Preto: Caravana Grupo Editorial, 2025.
ELSE, Gerald F. Aristotle’s Poetics: the argument. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1957.
SAFO. Fragmentos completos. Trad. Guilherme Gontijo Flores. São Paulo: Editora 34, 2017.
VIGOTSKI, L. S. A educação estética. In: VIGOTSKI, L. S. Psicologia Pedagógica. Trad. Paulo Bezerra. 3. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010, p. 323-363.
VIGOTSKI, L. S. Psicologia da Arte. Trad. Paulo Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

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O estoicismo: da captura neoliberal à possibilidade de um modo-de-vida filosófico, com Wenid Queiroz
25, 26 e 27 de maio de 2026, das 17:30 às 19:00 - Sala a definir

Detalhamento: O curso parte do pressuposto de que o estoicismo — ou, ao menos, uma versão caricata, falseada dele — foi capturado e assimilado dentro do horizonte ideológico do capitalismo tardio como uma política de subjetividade, no contexto da governança neoliberal. Considera que, na circunstância de um colapso geral, de uma decomposição que atinge as esferas política, econômica, social e ambiental, um certo discurso dito “estóico” apropriou-se de alguns dos princípios da escola filosófica original para inverter seu sentido e instrumentalizá-los segundo uma gramática de “resiliência”, que é apropriada para produzir sujeitos capazes de suportar (e mesmo desejar) a vida precária que pode ser vivida sob o regime de poder do capital. Visa promover sua desconstrução, evidenciando as diferenças dele para com o pensamento de Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio, representantes da “fase imperial” do estoicismo. Pretende refletir sobre as possibilidades de constituição de um modo-de-vida ou de um “trabalho sobre si” devidamente filosófico nos dias de hoje, entendendo-o como radicalmente antagônico a esse “estoicismo empreendedor” e dispondo-o como uma possibilidade concreta, com a ajuda de pensadores como Michel Foucault, Pierre Hadot e Jean-Joël Duhot.
OBJETIVOS:
O curso trata-se de um esforço para identificar um tipo particular de discurso, em voga nas redes sociais e na literatura coach, que se reivindica como um “estoicismo” e, no entanto, apropria-se do nome dessa tradição e de alguns de seus princípios — lidos da maneira mais superficial possível, quando não simplesmente esvaziada ou até invertendo o sentido — para produzir um tipo de subjetividade que suporte com mais resiliência os atravessamentos do regime de poder instituído.
Pretende, após esse primeiro movimento, resgatar as reflexões de Foucault, Hadot e Duhot para pensar um significado possível, oposto ao primeiro, de estoicismo como uma escola da espiritualidade ocidental que, se não pode ser vivida ou reivindicada em sua integridade por nosso tempo, ao menos parece indicar algum caminho para o que os gregos chamariam de “boa vida”. Por fim, no último momento do curso, as referências primárias de três dos principais autores estóicos (Sêneca, Epicteto e
Marco Aurélio) servirão de subsídio para o debate, cuja ideia é buscar compreender o que desses registros pode ser interessante para nosso período histórico de interregno. Seu objetivo geral é, portanto, cumprir duas funções: a de evidenciar o “estoicismo empreendedor” como discurso de poder e rebatê-lo com leituras mais interessantes sobre a escola helenística, colocando-a como modo-de-vida “espiritual”.
METODOLOGIA: Pretende-se ministrá-lo com exposições a partir de textos e slides, com abertura para o debate.
QUANTIDADE DE DIAS: Será um curso ministrado em três dias, cada um para cada “movimento” indicado acima.

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